Amanhã assinala-se o centésimo aniversário da aparição de Nossa Senhora aos primos Lúcia, Jacinta e Francisco, na Cova da Iria, numa pequena aldeia do concelho de Ourém. A aldeia chamava-se Fátima e, depois deste "milagre do Sol", o topónimo passou a ser sinónimo de identidade portuguesa, não obstante de estarmos na presença de um nome de origem árabe que significa a que desmama crianças. Segundo explica José Pedro Machado, no seu Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, Fátima "era um nome usual em mouras, incluindo as que habitaram terras portuguesas" mas não há dúvidas de que "a sua vulgarização é posterior a 1917". A devoção a Nossa Senhora do Rosário de Fátima foi crescendo e Maria de Fátima passou a ser um nome muito apreciado pelos crentes.
Com o passar dos anos, e com o progressivo afastamento da população portuguesa da religião católica, Fátima começou a usar-se menos e sabemos que em 2013 foram registadas apenas 15 meninas com o nome Maria de Fátima e 17 em 2014. Neste mesmo período, também é possível perceber que "de Fátima" precede nomes tão variados como Matilde ou Luana. Já em 2016, Fátima foi usado como primeiro nome em 22 bebés. Muito mudou em vinte anos, se pensarmos que em 1997 nasceram 186! Pessoalmente, não acredito que o cenário se inverta nos próximos anos, já que Fátima parece um pouco datado, apelando apenas, provavelmente, aos mais devotos.

